Dando uma pausa nas crônicas, posto agora um texto de pura filosofia de boteco. Digo mais, de filósofo anarquista, ou comunista, como os que se identificarem preferirem. Aliás, esses são os maiores pensadores de pé-sujo do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil e do mundo. Sujeitos aparentemente desocupados que em sua militância recusam a Coca-Cola enquanto tomam Skol e discutem as ferramentas de poder do sistema.
Em estado de ócio, pensando no conceito de trabalho, cheguei à conclusão de que um dos pilares inconscientes do nosso sistema é o café. Pausa para explicação: Digo inconsciente por não acreditar numa conspiração, em um burguês malvado pensando no café como uma brilhante ferramenta de manipulação.
Passado isso, volto ao ponto principal. O café possibilitou, e ainda hoje o faz, a exploração das massas. É ele que permite que trabalhemos 8h e não menos. Que produzamos mais, que fiquemos acordados logo de manhã. Que não tenhamos cansaço depois do almoço e possamos voltar ao trabalho com apenas minutos de descanso.
Se observarmos o mercado desse grão, percebemos uma alta nos momentos de aumento de industrialização dos países. Seria mera coincidência? Mais uma vez afirmo que não acredito em burgueses malvados usando o café como arma, mas as pessoas tomaram o negrinho como algo natural, precisavam trabalhar mais e mais. Observando o quanto a maioria suportava, estabeleceram as horas de trabalho diário. Novamente pergunto-me se tantas horas seriam possíveis sem o café.
Sem nem falar no mal que isso acaba fazendo, gerando estafa e cansaço geral. Trabalhadores operando sobre o limite humano, todos os dias. Acredito ainda que poderíamos ir mais longe nessa teoria e dizer quão prejudicada fica a vida conjugal com isso. Pessoas chegando esgotadas e com mal humor em suas casas. Não mencionando o trânsito, motoristas estressados querendo chegar logo em casa.
Não posso negar que faz parte da tradição brasileira e que depois do almoço de domingo é uma maravilha. Para resolver a questão, só tomo café aos domingos. Não nego a tradição e continuo na minha luta contra um pilar do "regime", luta essa muito mais sensata do que contra uma empresa, ou um país. No mais, desce mais uma aqui, que a minha já esquentou.